Super Poderes

by - quinta-feira, março 19, 2015


O que você faria para chegar ao topo?
Eu não precisava fazer nada, já estava lá no topo de um penhasco e ele também, mesmo não o vendo podia senti-lo, ele estava me observando, lá embaixo a cidade ardia em chamas e os gritos de agonia de todos ainda martelava na minha cabeça como um bigorna, crianças, mulheres, homens, idosos, mortos, todos estavam mortos. Dentro de mim algo queimava, como se houve uma panela pegando pressão, parecia que ia explodir. Ele então se move e vem em minha direção mais rápido que qualquer outra criatura, antes que pudesse reagir já estava caindo, o topo estava cada vez mais longe, já não podia mais alcançar, a ultima coisa que ouvi foi uma risada antes de ser tomada pela escuridão.

Todos me observavam como seu fosse uma louca, talvez eles tivesses razão, nem mesmo a professora proferiu uma palavra após o termino do meu texto pelo contrario ela me observava com cara de quem tinha pena de mim, o sino tocou invadindo aquele silencio, em questão de segundos a sala estava vazia e eu ali para esperando minha professora dizer algo, ela apenas pegou meu texto e saiu. Seguia para casa como de costume, cabeça baixa e lentamente, havia chovido e apesar de as arvores estarem cobertas de neve o chão estava liso, limpo e molhado, desastrada como eu era todo cuidado era pouco. ligações perdidas da minha mãe era o que mais tinha no meu celular, provavelmente querendo como foi a apresentação, era melhor eu deixar para contar em casa o fracasso que havia sido, apesar que não sei bem o que tinha acontecido para deixar todos em silencio, era apenas uma redação boba, se ao menos a professora tivesse dito algo, mas ela apenas me observou.

Ao som de de Avicii eu continuei caminhando, em silêncio, absorta em meus pensamentos, fui tirada deles bruscamente por um empurrão que me deixou no chão, que pessoa mal educada pensei, olhei para trás para ver quem era e ele me observa, alem de mal educado era mal encarado, foi ai que notei que havia me perdido, me desviado do caminho, estava tão mergulhado em meus pensamentos que não nem notei aonde ia apenas segui caminho, levantei rapidamente para observar melhor, o cara que me empurrara agora me observava, algo me dizia que eu precisava sair dali e logo, virei pra frente e continuei a andar, por cima do ombro notei que o homem começou a me seguir, o medo foi me dominando e comecei a correr, sem ao menos olhar para onde estava indo, quando percebi estava no meio de um a mata fechada, minha respiração ofegante era a unica coisa que se ouvia naquele momento, quando consegui me acalmar apenas escutei, mas nenhum barulho havia por ali, ate que alguém tentou me agarrar e pra longe eu fui jogada, aconteceu tudo tão rápido que a unica coisa que lembro foi de ouvir um grito, de dor e então o silencio reinou.

Com um pouco de esforço consegui ficar em pé, um pouco confusa, confesso, foi quando me deparei com ela, alta, branca, de cabelos vermelhos como as chamas e olhos castanhos, ele era igual a mim, isso não era possível, não tinha como, você está confusa e sonhando, pensei comigo era a unica explicação, comecei a andar de um lado para outro e percebi que estava na beira de um penhasco, o mesmo penhasco que havia descrito na minha redação, impossível pensei, então parei e a observei, ela foi se aproximando e eu me afastando, apesar de ter certeza que era uma sonho não a queria perto de mim, quanto mais ela se aproximava mais eu me afastava e então eu cai, assim como na minha redação, o topo estava cada vez mais longe mas o final foi diferente ao invés de ouvir uma risada eu ouvi um estalar de dedos e desabei no chão do meu quarto.

Levantei rapidamente, assustada, olhei tudo a minha volta, realmente estava em casa, como eu não sabia, quando olhei para a porta lá estava ela, ou melhor eu, ela veio correndo ao meu encontro mas eu não tinha para onde fugir, um clarão tomou meu quarto e um grande poder se uniu a mim, quando o clarão sessou ele havia sumido e tudo estava normal, ou quase tudo, algo havia mudado, eu, não sabia explicar o porque nem como, mas não era mais a mesma, estava mais forte, me sentia diferente, com uma força inimaginável e só uma certeza, as coisas iriam mudar pois onde houver o bem o mal sempre tentara reinar.


"Texto feito sobre o tema proposto pelo projeto Blogagem Coletiva do grupo Blog Up. Em termos de imaginação essa galera sabe o que faz. Pequeno spoiler de um projeto de livro."

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@tiposdalu