[+QP]: A Garota e o Monstro

by - sexta-feira, junho 05, 2015


I.

Assustada ela se pôs sentada na cama, o relógio de mesa de cabeceira indicava ser 02:30 da manhã, tivera aquele sonho novamente. Estava assustada e com sede, mesmo a contra-gosto se levantou e desceu até a cozinha para pegar água, a casa estava silenciosa, todos dormiam, o tic-tac do velho relógio na sala era a única coisa que se ouvia alem dos corredores escuros, da grande casa, ela anda cautelosamente para não acordar ninguém, não quer correr o risco de levar uma bronca por estar acordada as duas da manhã. Ela bebe água, o que á ajuda a se acalmar um pouco e então retorna a seu quarto, ele fica no fim do corredor do segundo andar, suas janelas dão de frente para a densa floresta de carvalho, remota não se sabe desde quando.
Conforme sobe as escadas o tic-tac vivido do grande relógio vai dando lugar a um surdo silêncio, onde não se escuta nem o som de sua respiração, do topo da escada ela observa a porta do seu quarto e um arrepio lhe sobe a espinha, ela havia deixado a porta de seu quarto aberta ao sair e agora a mesma estava fechada, e ela tinha a sensação de que não estava sozinha, na ponta do pé como quem não quer acordar ninguém ela vai se aproximando do quarto, atenta ao silêncio ela prestava atenção a porta para ver se havia algum indicio de algo ou alguém por ali, ela gira a maçaneta de ferro e empurra a porta, o quarto esta escuro, ela permanece alguns segundos parada decidindo se acende ou não a luz, por fim opta por acender. A luz bate em seus olhos fazendo-o se fechar por alguns instantes, não há nada ali a não ser seu medo, ela então apaga a luz e deita novamente em sua cama, fecha os olhos e novamente de um susto ela se coloca sentada. Há alguém embaixo de sua cama.

II.

O relógio desperta aos sons de fortes batidas na porta de seu quarto.
- Lydia, levante-se querida, se não vai se atrasar. – ela reconheceria essa voz em qualquer circunstância, era sua mãe Elena, uma mulher doce e que fazia de tudo pela família, o pequeno despertador em forma de Mickey que seu avô havia lhe dado no ultimo natal marcava 06:30 da manhã, era hora de levantar, era segunda-feira e tinha aula com a Srta. MacCall, a temida professora de matemática da quinta serie. Mas algo estava errado, ela levou a mão a boca para não gritar. Seu lençol estava repleto de marcas de garras.
Ela desceu as escadas correndo para encontrar sua mãe, como o que sobrara do lençol em suas mãos.
- MÃ..E!! – ela praticamente gritou, estava tão assustada que mal conseguia respirar.
- O que foi querida? – quis saber a mãe assustada com os gritos da filha.
- Tem um monstro no meu quarto, mamãe, ele estava lá ontem a noite. – a menina andava de uma lado para o outro, tentando lembrar o que teria acontecido ontem a noite.
- Filha, olha pra mamãe, monstros não existem, eles não são reais. – a mãe tentava acalmá-la em vão, ela tinha certeza de que eles existiam e tinha como provar. Pegou o lençol que estava em sua mão e o jogou em cima da mesa, para que a mãe visse os rasgados. Sua mãe o pegou e caiu pálida na cadeira mais próxima, ela ficou assustada, talvez tenha sido demais mostrar o lençol rasgado para a mãe. – Mamãe, esta tudo bem?
A mãe permaneceu em silencio, olhando para o lençol.
- Ma..mãe, você esta bem? – Lydia estava começando a ficar nervosa, sua mãe estava pálida e não pronunciava uma palavra.
- Estou querida, agora vá se arrumar que vou te levar para escola. – foi tudo que sua mãe disse sem nem ao menos olhar para ela. Mas ela não queria voltar para o quarto, estava assustada e com medo, não sabe o que o monstro poderia fazer com ela.
- Mas e o lençol mamãe, o que faremos conta isso, não quero voltar para aquele quarto e se ele me atacar?
- Ele não vai, eu prometo querida. – sua mãe dizia enquanto lhe abraçava. – olha promete que não vai contar para ninguém sobre isso ta, será um segredo nosso, a mamãe vai resolver tudo, promete? – sua mãe chorava, ela nem ao mesmo entendia o porque, era ela que deveria estar com medo, a não ser que o monstro também tivesse assustado sua mãe. – Promete pra mim Lydia.
- Prometo mamãe. – dizendo isso ela subiu relutante a seu quarto para se arrumar. Era hora de ir para a escola.


III.

O relógio do corredor marcava 17:40, seu pai estava atrasado para buscá-la. Era sempre assim, sua mãe a leva para a escola e seu pai a buscava e ficava cuidando dela, já que sua mãe sempre trabalhava ate tarde, era essa sua rotina. Mas hoje seria diferente. Ele estava atrasado. Se que se esquecera dela? Um arrepio subiu por sua espinha a amedrontando, o mesmo medo que sentira na noite anterior, quando percebera o monstro embaixo de sua cama, mas antes que ela pudesse ser engolida por esse medo, ela foi despertada, por uma voz extremamente conhecida.
- Lydia? – era sua mãe. Mas o que ela estava fazendo ali.
- Mamãe?. – agora ela podia ver, sua mãe parecia assustada, estava com as mãos nas costas como se escondesse algo, sua blusa estava manchada. – O que esta fazendo aqui? Cadê o papai?
- Querida o papai não vem, eu preciso que seja uma mocinha ta. – antes que sua mãe terminasse de falar surgiu um homem atrás dela, ele era alto, de pele morena, com um casaco grande preto, junto com ele havia uma mulher baixinha e corpulenta, pelas suas expressões era mais velha do que aparentava. – acabou querida, vamos para casa.
- Mas e o papai, ele já esta em casa? – eu não estava entendo nada do que estava acontecendo ali, onde estava meu pai? Quem eram aquelas pessoas?
- Lydia olha para mim – minha mãe se ajoelhou em minha frente, ela estava chorando e eu não entendia o porque, mas eu queria saber. – o papai, bem...ele não vem querida – ela se aproximou de mim para sussurrar no meu ouvido, para que aquele homem e aquela mulher não escutasse o que falávamos – e o monstro se foi, a mamãe mandou ele ir embora – ela me olhou e deu um piscadela.
Eu me senti feliz, finalmente o monstro havia ido embora, ela me disse que ele nunca mais apareceria para mim, nem naquela noite e nem em nenhuma mais. Ela tinha razão ele nunca mais apareceu.


Epilogo

Dez anos se passara desde aquele, dia. Mamãe tinha razão o monstro nunca mais aparecera para mim. Nem papai. Na época eu tinha 12 anos e fiquei muito confusa com tudo, saímos da escola e fomos para a casa de minha avó, mãe da minha mãe. Nunca mais voltei para casa, de lá nos mudamos para Seatle, onde resido até hoje. Bem agora entendo muitas coisas e sei que não eram marcas de garras que haviam naquele lençol.


"TEXTO FICTÍCIO". Feito para a blogagem coletiva do grupo Mais Que Palavras [a ideia era falar sobre uma garotinha, que tinha medo do monstro embaixo da cama, o que ela não sabia é que ele estava ali a para protegê-la dos monstros reais, seus pais] a minha ideia principal foi um conto meio que de “suspense” assim por dizer, mas depois de ler, e ler, e ler, eu achei que era melhor adapta-lo para algo mais suave. Caso queiram ler o conto original [aqui]. Conheça Bela Psicose e Meia Hora Em Paris, blogs participantes do projeto.

6 comentários

  1. nossa,uau,
    que texto lindo,amei.
    seguindo aqui.
    unhas-e-livros.blogspot.com

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    1. ah fico feliz que tenha gostado flor :) seja sempre bem vinda.

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  2. Uau, isso foi... intenso. Muito bem escrito, parabéns!
    Não tenho certeza se entendi o final kkkkk Mas gostei bastante :)

    xoxo :*
    paperdream-s.blogspot.com.br

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    1. Ah confesso que pode ter ficado um pouco confuso esse final, não qui afirmar o que pode ter ocorrido, queria que as pessoas descobrissem por si só, mas creio que pecar nessa parte. Mas fico muito feliz que tenha gostado da minha pequena historia. Beijos flor ❤

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  3. Oi Luciana, td bem. Eu entendi a sua proposta e confesso que tenho uma tendencia a escrever asim tbm. Eh muito difícil suavizar coisas que não são suaves. Posso dar uma dica? Não suaviza não. De vez em quando é bom por um pouco mais de realidade nos textos. Acho que fica até mellhor. Bjs

    ladodomeio.blogspot.com.br

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    1. Oi flor, adorei a dica e vou levar sempre comigo, é difícil suavizar algumas coisas que infelizmente não tem como, mas fico feliz que tenha gostado flor, beijos!!

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@tiposdalu