{Coluna}: Vamos Falar de Musica?

by - quinta-feira, julho 14, 2016

A quem ainda diga que música de verdade morreu ou que para ser uma pessoa considerada ‘aculturada’ e necessário gostar e odiar certos estilos musicais, essas pessoas logicamente vieram de um tempo onde era raro se ouvir certas coisas na música ou mesmo onde as músicas lutavam contra algo, necessariamente social. Bom, fui criado por esse tipo de pessoa, ou seja, treinado para odiar certos estilos musicais que hoje considero interessantes.

Em uma longa pesquisa sobre mim, descobri que realmente, não gosto de pagode e sertanejo, embora exista algumas letras e melodias que eu goste, no caso do funk existem os que eu consigo ouvir, e alguns que procuro evitar, ouço mais os ‘Girl Power’, pois acho interessante essa vertente onde as mulheres se sentem poderosas. Ouço naturalmente Rock, Pop e vertentes dos tais, e R/B, inclusive gostaria de indicar as músicas de Nina Simone (e também a biografia dessa mulher, que é espetacular), bom, ouço um pouco de gospel. Mas minha predileta sem dúvida é a música brasileira, o samba de raiz, a MPB, o Rock brasileiro (que também tem várias vertentes), Tom Jobim, Secos e Molhados, Ana Carolina, Rita Lee, muitos outros antigos e alguns novos. 

Ouço tanto por ter sido criado ao som brasileiro, como pelo fato de amar esse solo, mesmo com muitas desavenças, sou brasileiro com um amor inconfundível por tudo que existe aqui. Na infância fiz aulas de piano clássico e teclado (que para mim sempre foi a mesma coisa, mas claramente eu estava errado), não consegui aproveitar da forma como deveria, confesso que hoje para ouvir a afinação de alguém, e entender o arranjo da música eu preciso de muita concentração, de uma forma que qualquer barulho a mais, eu me perco.

E com todo esse conhecimento pela música, e cultura musical que tive na infância e adolescência, por parte dos meus pais e família em geral eu poderia facilmente me colocar em uma posição de “sou melhor que todos” afinal não é de costume do brasileiro atualmente ser muito “aculturado”, isso levando em consideração aquilo que é considerado cultura pelas pessoas descritas no primeiro parágrafo. E ainda sim, consigo com toda naturalidade ouvir um bom funk, me misturar em meio ao sertanejo, admirar o romantismo de certos pagodes, admirar a coragem e desempenho de palco de certos cantores que antes talvez não houvesse entre Gilberto Gil e seus fãs por exemplo.

Onde quero chegar exatamente?

Quero chegar numa parte do texto onde digo: não é porque você decidiu que o que você ouve é cultura que todas as pessoas a sua volta devem considerar o mesmo. Confesso eu tive durante muito tempo preconceito sobre pessoas que ouviam certos estilos musicais, aos poucos me permito sair da minha zona de conforto e talvez quem sabe respeitar e aceitar que eu não sou o dono da verdade, e indico fortemente essa mesma atitude. Vamos praticar o dom mais sublime que as pessoas podem exercer umas sobre as outras, que é o respeito mútuo e a aceitação sem olhar a quem, ou a que.

Ed Gomes

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