Carta aos Derrotados

by - sexta-feira, dezembro 23, 2016

A manhã esta fria e cinzenta, um dia normal na minha vida, um café frio adoçado com amargura é o que me espera para aquietar as borboletas que residem em mim, nas ruas as pessoas agem como se o mundo fosse acabar em segundos, uma correria enorme, não se dão ao trabalho de dar bom dia a ninguém, nem a aqueles que lhes servem, alguém já parou para pensar o quão frustrada fica uma garçonete a não receber um bom dia? O jornaleiro ficaria feliz com um simples obrigado, não me digam que isso é falta de tempo, no fundo mesmo ninguém se importa. Caminho sem pressa pela rua apreciando o chão, meu café já esta tão frio que o levo a mão só de enfeite por assim dizer, em dez minutos de uma lenta caminhada já levei cinco empurrões, será que ninguém me vê?

Chego a um grande parque, procuro o banco mais afastado e me sento, me ponho a observar o horizonte sem ver nada, apenas parada ali a pensar, eu sou a vida, eu sou a morte ambas habitam minha mente, não sou forte, não sou fraca sou apenas diferente, sou parte de um tudo repleto de nada. Essa sou eu, ou o que transborda de mim, uma incógnita, uma equação sem fim. Me perco nos porquês com a mesma facilidade que me decepciono com os talvez, com as pessoas, incrível meu dom de acreditar em todos, de acreditar no melhor do mundo, minha mãe diria "tolice nos dias de hoje", talvez ela tivesse razão, mas não controlo meu coração.

Esta é uma carta aos derrotados, escrito num caderno velho que reside no fundo da minha bolsa, suas paginas já amareladas mostram sinais de doces palavras num passado distante, de uma eu diferente, cheia de luz e de alegria, bem eu ainda sou feliz, do meu modo próprio, mas sou. Estas são palavras de conforto de parte daquilo que fui um dia, sou onde tudo começa e nada termina, sou a incerteza, talvez ao ler isso você não entenda no que vai lhe servir, mas abstenha-se a uma coisa, não seja assim, isso faz parte de mim, não precisa ser de você.

Esta é uma carta aos corações perdidos, um pedido de socorro ao mundo, mais uma confusão diária, uma ficha na fila de espera por um mundo melhor, onde "bom dia" venha acompanhando o café, parece loucura esperar por isso, mas se não acreditarmos no melhor ninguém nunca fará nada para mudar, eu sei que vão dizer que não fazem, mas acreditar na mudança já se torna fazer algo, aos poucos todos vão acreditando nesse "talvez" que se estende por cima de todos como nuvens pesadas, cuja a chuva não tarda a cair, será essa a solução? Finalizo minha carta e fecho o caderno, os primeiros pingos se mostram para mim, é hora de ir embora. Caminho lentamente para fora do parque com um fio de esperança, o futuro é tão incerto quanto eu, o que me condiz ser um bom sinal.

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@VENTOSDMAIO