Sou Flor Li(n)da

by - terça-feira, fevereiro 14, 2017

Sou flor. Sou aquelas dos mais belos jardins, ou ate mesmo aquelas no meio campo, o que importa, eu sou apenas flor. Uma flor que desabrocha a cada manha e que com o por do sol se fecha no seu escudo contra o mundo, sou bela aos olhos de quem sabe ver e seca aos corações amargos. Minhas cores depende do espirito, há dias que estou vermelha como os sentimentos que transbordam deste pequeno ser, há dias que sou azul como a imensidão do céu, já fui rosa como a pureza ou verde com uma folha de esperança, mas ser branca é raridade, ainda mais com essas tempestades diárias.

Como toda flor sou repleta de espinhos, para minha própria proteção, mas não tem adiantado muito o mundo aprendeu a passar por eles, escalam cada um com uma serenidade angustiante, para no fim arrancar-me as pétalas sem nem aos menos pensar nas consequências. O sol de cada manhã me traz a esperança de um jardim melhor, de um campo aberto, de liberdade. Sou flor linda. Sou flor lida, minhas pétalas trazem historias, de um tempo remoto, de amor e de paz, onde o egoismo não era conhecido, onde a gloria e o poder não havia sido criado, parece muito eu sei, mas assim era a vida.

As noites são frias, não há mais o manto de calor da paz, da preocupação, não ha mais quem me regue, não ha mais chuva, não há mais esperança, sem água eu não viverei muito, mas já presenciei tanta coisa que talvez seja mesmo a hora de deixar minhas pétalas seguirem com o vento, carregar o pólen e semeá-lo em outros campos. Fui flor, hoje sou ferida esquecida dentro de um velho livro jogado no canto de um quarto abandonado, já fui fruto de boas lembranças hoje nem para choro eu sirvo, fui esquecida.

Minha hora logo chega, de seguir minha sina, de aceitar o meu fim, eu vou secando aos poucos, perdendo a cor, perdendo o perfume, perdendo a beleza, há duas formas de passar por isso, a primeira é deixar o tempo nos mostrar como aceitar o fim e aceitar que nenhuma dor existe aqui, que tudo já se foi, a segunda é deixar que o egoismo, e sede de poder lhe arranque pela raiz, sem piedade. Fui flor, fui dor, fui bela, hoje sou apenas lembrança de tempos de esperança.

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@VENTOSDMAIO