Edgar Allan Poe: Medo Clássico, Edgar Allan Poe

29/01/2018
Sinopse – “Seguindo o padrão quase psicopata de qualidade que os leitores já esperam da DarkSide® Books, o livro é uma homenagem a Poe em todos os detalhes: da capa dura à nova tradução feita por Marcia Heloisa, pesquisadora e tradutora do gênero, além das belíssimas ilustrações em xilogravura feitas pelo artista gráfico Ramon Rodrigues. E o mais importante: o conteúdo selecionado que recheia as 384 páginas deste primeiro volume de Edgar Allan Poe: Medo Clássico. E que conteúdo. Pela primeira vez numa edição nacional, os contos estão divididos em blocos temáticos que ajudam a visualizar a enorme abrangência da obra. A morte, narradores homicidas, mulheres imortais, aventuras, as histórias do detetive Auguste Dupin, personagem que serviu de inspiração para Sherlock Holmes. O livro traz ainda o prefácio do poeta Charles Baudelaire, admirador confesso de Poe e o primeiro a traduzi-lo para o francês. Os contos são comentados na voz do personagem mais famoso de Poe, um certo pássaro de asas escuras como a noite. E por falar nele, Edgar Allan Poe: Medo Clássico apresenta “O Corvo” na sua versão original, em inglês, além de reunir suas mais importantes traduções para o português: a de Machado de Assis (1883) e a de Fernando Pessoa (1924). Uma obra tão completa que não poderia se limitar a um só volume. A DarkSide® Books já começa a organizar Edgar Allan Poe: Medo Clássico, volume 2. Além de Poe, Mary Shelley, Bram Stoker e Lovecraft também farão parte da coleção Medo Clássico, sempre com ilustradores convidados e tradutores que respiram e conhecem profundamente as obras originais. Nunca mais houve um autor como Poe. Nunca mais haverá uma edição como esta.”


Titulo - Edgar Allan Poe: Medo Clássico
Autor - Edgar Allan Poe
Editora - DarkSide Books
Paginas - 384
ISBN - 9788594540249
Tema DLL - autor que nasce em Janeiro
❤❤❤




Se você já leu algum livro da Darkside Books sabe que a editora é fera em diagramação, e que o capricho é fundamental para a edição de suas obras. Em "Edgar Allan Poe – Medos Clássicos" não foi diferente, em capa dura, misturando o dourado com o preto fosco e o título em auto-relevo, só a capa já faz os olhos brilharem. No miolo vemos letras com tamanho que facilita a leitura e notas de rodapé que ajudam no entendimento, além das páginas ilustradas que dão um ar ainda mais interessante, o cuidado com a obra e autor é visto em cada pequeno detalhe do livro.

Logo de início, temos uma grande surpresa, com o conto ‘O poço e pêndulo’, um suspense que causa extrema aflição. Como o livro é dividido em temas, cada seção possui três contos da mesma temática. Passamos por histórias assombradas pela morte, leremos as confissões de atos homicidas, mergulharemos nas minuciosas análises do detetive Dupin (personagem de extrema importância para a literatura policial e de investigação), conheceremos as tristes histórias de mulheres etéreas, embarcaremos em grandes aventuras, até chegarmos ao grand finale, com o poema mais conhecido de Poe, ‘O corvo’, apresentado na forma original e nas traduções de Machado de Assis e Fernando Pessoa (vale apontar que o poema é antecedido pelo texto ‘A filosofia da composição’, onde Poe explica como o compôs).

É interessante notar que todos os contos do autor são narrados em primeira pessoa, escritos como se fossem relatos de quem narra. Ao menos é assim com os contos presentes nesta edição.
“— O mundo material – prosseguiu Dupin — está repleto de analogias bem estritas com o imaterial; deste modo, um toque de verdade foi dado ao dogma retórico e, assim, a metáfora pôde ser empregada para fortalecer um argumento ou embelezar uma descrição”. - A carta roubada, p. 224
As duas primeiras seções possuem contos que prendem a atenção e afligem a alma, deixando a curiosidade reinar, o que faz a leitura se tornar gostosa e bastante fluida. Quando chegamos aos contos do detetive Dupin, esse ritmo se quebra. O primeiro conto, ‘Os assassinatos na rua Morgue’ é legal, possuindo um mistério intrigante. Todavia, é uma história muito detalhista, onde Dupin descreve todo o seu método de solução do mistério, ficando algo monótono e sem graça, o que acomete as histórias seguintes também.
Por serem, todos, contos de poucos diálogos, a fala do narrador se torna entediante em alguns momentos, pelo grande detalhamento expresso. Claro que muitos desses detalhes são o legado de Poe à literatura, porém isso não quer dizer que sejam divertidos de se ler. Nos últimos contos, esse cenário muda e tudo volta a ser muito bom, principalmente em ‘O escaravelho de ouro’, uma grande história de mistério, aventura e suspense.

Talvez a seleção feita pela editora para este volume não tenha sido a melhor, mas sua intenção é publicar toda a obra de Poe, sendo assim, existirão contos bons e outros nem tanto. E isso não quer dizer que a leitura deste primeiro volume foi chata, muito pelo contrário, foi legal e interessante conhecer os escritos que inspiraram muitos dos meus autores favoritos.
“E naquela hora nefasta da noite, no silêncio tenebroso daquela velha casa, um ruído assim tão medonho provocou-me um terror incontrolável”. - O coração delator, p. 110
A tradução ficou por conta de Marcia Heloisa (que também escreveu uma introdução para esta edição), leitora ávida de histórias de terror e fã declarada de Edgar Allan Poe. Possui um mestrado sobre ‘Drácula’ e, atualmente, desenvolve sua tese de doutorado sobre ‘O exorcista’. Uma boa tradução, sem simplificar as palavras, mas deixando o texto coeso e claro. Há alguns errinhos que a revisão deixou passar, mas são detalhes que não atrapalham a leitura ou o entendimento da obra. Além da introdução escrita pela tradutora, a edição conta com um prefácio escrito pelo poeta francês, e grande divulgador de Poe na Europa, Charles Baudelaire.
“Há algo de altruísta e abnegado no amor de um animal que toca o coração daquele que pôde testar amiúde a amizade precária e a fidelidade leviana dos Homens”. - O gato preto, p. 86
Apesar do livro ser maravilhoso e a edição impecável eu fiquei bem decepcionada com o desenrolar do mesmo, acontece que criei uma expectativa sensacional em cima do livro e não foi bem o que eu esperava. O uso de termos muito conceituais na parte biográfica do livro dificultou muito a leitura me confundindo varias vezes, me peguei relendo muitas partes afim de tentar entender sobre o que se tratava o que  na minha humilde opinião deixa a leitura maçante e desgastada. Mas não deixo de indicar o livro para ninguém, porque é Poe minhas amoras e vale muito a pena, só o começa que decepciona mesmo, mas a parte dos contos amenizou essa decepção.

3 comentários:

  1. Sabe que aconteceu o mesmo comigo? Eu li vários posts sobre o livro e fui indo num crescente de ansiedade insano. Quando peguei o livro em mãos em dezembro: murchei. Me decepcionei com o livro. Não gostei da tradução e voltei para o meu velhinho de EAP... porque esse cara forjou meu senso para o estranho. rs

    Fiquei feliz ao ler-te, você nem imagina o quanto. rs
    bacio

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    Respostas
    1. Pois é moça estava ansiosa demais para ler e levo um balde água gelada desse vê se pode haha que bom que gostou moça, um beijo.

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  2. Eu conheci o nome Edgar Allan Poe em uma série de TV e depois disso comecei a procurar mais sobre ele e simplesmente me apaixonei e virou um
    Vicio 💖

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