O Nome da Rosa, Umberto Eco

21/01/2018
Sinopse - "Durante a última semana de novembro de 1327, em um mosteiro franciscano na Itália, paira a suspeita de que os monges estejam cometendo heresias. O frei Guilherme de Baskerville é, então, enviado para investigar o caso, mas tem sua missão interrompida por excêntricos assassinatos. A morte, em circunstâncias insólitas, de sete monges em sete dias, conduz uma narrativa violenta, que atrai o leitor por seu humor, crueldade e erotismo."
Titulo - O Nome da Rosa
Autor - Umberto Eco 
Editora - Galera Record 
Paginas - 560
ISBN - 9788501081407
Tema DLL - livro de um autor italiano.
❤❤





Frei Guilherme de Baskerville, um famoso e justo inquisidor inglês, juntamente com seu discípulo e noviço beneditino Adso de Molk, chegam na Abadia que se encontra sob as ordens do Abade Abbone, apenas para mediar o tal encontro. O problema é que alguns frades começaram a aparecer mortos. Assim, bem misteriosamente, seguindo as escrituras das sete trombetas do Apocalipse. A primeira morte aconteceu um dia antes da chegada de Frei Guilherme e o Abade pediu então um favor: investigar o que ocorre para que tudo dê certo no encontro com os representantes do Vaticano.

Um livro denso, o próprio autor reconhece que as 100 primeiras páginas são um teste para garimpar os "leitores escolhidos" (um exemplo, dessas 100 primeiras páginas, cinco se dedicam a detalhar nos mínimos detalhes uma das PORTAS da abadia), ultrapassei a barreira do estranhamento inicial e me senti estimulada ao ler tantas referências e palavras que não conhecia, isso me levou à um labirinto de novos conhecimentos. Essa história excelente envolvendo a investigação dos vários monges que vão sucessivamente aparecendo mortos e o mistério que parece remeter a algo na imensa biblioteca do mosteiro (nela se passam os melhores capítulos do livro) faz a leitura valer a pena no saldo final. E não dá pra negar que tem mesmo um nível intelectual refinado, a ponto de levar à tona interessantes debates sobre a importância do riso e das palavras, através dos debates feitos pelos personagens.
Pena que a maioria das divagações é desinteressante - principalmente as de natureza estritamente teológica - e só serve para atravancar a ação com Eco exibindo seus dotes de conhecimento histórico, enquanto esperamos, pacientemente, entre capítulos completamente inúteis (como a descrição detalhadíssima da igreja da abadia ou o relato do sonho), que a trama investigativa seja retomada. A revelação do antagonista, em que pese ser bastante previsível (pelo menos pra mim foi), tem desdobramentos reveladores e fortes sobre o controle do conhecimento e de sua difusão. Ao longo da narrativa, vamos conhecer não apenas vários personagens interligados entre si pela história da Inquisição e da Igreja, como também por conta das mortes na Abadia. Acompanhamos Guilherme e seu aluno tentando elucidar o caso de forma justa, analítica e cientificamente, baseado em conjecturas a partir de observação e muita lógica.

Aos poucos, descobrem os segredos da Abadia e da sua biblioteca que tanto o Abade como o bibliotecário tentam manter ocultos, além de outros segredos como a troca de favores sexuais com moradores famintas da vila e os seguidores de Frei Dulcino, um frei a favor da mutilação em praça pública de cardeais ostentosos do Vaticano. Frei Guilherme, um seguidor e estudioso de Francis Bacon, um dos maiores filósofos da época, é extremamente perspicaz, inteligente, com um olhar arguto a la Sherlock. E tem as melhores falas e constatações do livro todo. Adso, como noviço, é bem ingênuo, mas tem lá sua inteligência. E é um exímio aluno, aprendendo tudo de forma rápida, tirando suas próprias conclusões com o passar do tempo.
Todo o livro se passa em sete dias, representando as 7 partes em que o livro se divide. Cada parte conta com capítulos separados de acordo com a hora do dia (Primeira, Sexta, Vespertina, etc), cuja explicação está bem no começo da leitura. Isso ajuda a nos situar. Acontecem muitas coisas em 7 dias!

Posso dizer, sem sombra de dúvidas, que Umberto Eco é um gênio. Logo no começo do livro, há um prólogo explicando como Eco conseguiu pôr suas mãos no manuscrito dessa obra. Assim, ficamos na dúvida: é uma ficção histórica ou é um relato verídico? Um suspense triste, com morte de tradutores especialistas em grego, árabe, alemão, que nos mostra o perigo que o conhecimento e a curiosidade podem causar. Genial a forma como o assassino mata suas vítimas. O assassino é inteligente e nunca que eu esperaria ser quem é. E se é verdadeira a alusão ao Apocalipse?

22 comentários:

  1. Nunca gostei da história O Nome da rosa, sempre achei chata e por gora machista. O livro em si nunca li, já que o autor fala que ele é tenso, com certeza seria uma leitura que iris passar bem fácil

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Apesar de apaixonada por historia confesso que fiquei muito decepcionada com o enredo do livro, ele é muito denso e roda demais, o desenrolar da historia se estende demais por partes desnecessárias. Beijos moça.

      Excluir
  2. Olá!! :)

    Eu confesso que nunca tinha ouvido falar deste livro, mas já do autor, claro. Eu espero que gostes mais de outros livros dele do que este.

    Nunca li nada dele, mas a sensação que tenho e que os livros costumam ser maçudos... Ainda bem que o achas um genio!

    Boas leituras!! ;)
    no-conforto-dos-livros.webnode.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu sou apaixonada por esse tipo de literatura mas concordo que a historia é muito maçuda o que faz com que você perca o foco varias vezes,

      Excluir
  3. Olá, tudo bem?
    Eu sempre quis ler esse livro, mas sempre vi a quantidade de pessoas que o abandonam. Agora entendo o que causa isso, essa estranheza e necessidade de provar que é capaz no início do livro, parece ser um teste que o autor faz com o leitor e gostei disso, apesar de me preocupar com a quantidade de descrição que esse livro parece ter.
    Fiquei feliz por você ter curtido a leitura e, principalmente, por me fazer mudar de ideia e querer ler.
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O excesso de descrição é realmente quase como uma prova de sobrescreveria e apesar de me decepcionar um pouco valeu a pena a historia.

      Excluir
  4. Olá!
    Não conhecia esse autor e gostei da sua sinceridade com a experiência nessa leitura. Eu não sei se me adaptaria com essa narrativa, um início bem arrastado, e esse excesso de informações, ainda mais sendo um gênero que leio muito pouco, o desenrolar da história não parece ter sido tão proveitoso.
    Por isso não me atraí para querer embarcar nesta leitura.
    Quem sabe em uma próxima dica.
    Beijos!

    Camila de Moraes

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. mas é bem isso a historia foi pouco desenvolvida mesmo, mas acho que da para entender a essência.

      Excluir
  5. Oii

    Sem dúvias Umberto Eco é um gênio, mas infelizmente esse livro não é pra mim, já abandonei a leitura duas vezes, achei muito denso, não conseguia passar as páginas... Pelo visto coincidimos bastante em nossas impressões ja que pra ti tb foi um inicio bem trabalhoso né? Não sei, acho que apesar de ser tremendamente talentoso a escrita do autor não é pra mim de momento.

    Beijos

    www.derepentenoultimolivro.com

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O cara é um gênio isso não tenho duvidas, mas sua escrita muito conceitual é maçuda e se torna cansativa muito rápido, o uso de palavras complicadas e pouco usadas faz com que percamos o foco muito rápido.

      Excluir
  6. Olá, tudo bem?
    Eu adoro "O Nome da Rosa", o filme já assisti diversas vezes, inclusive tenho um dvd original que comprei uns 15 anos atrás. O livro lembro de ter lido uma única vez, ainda jovem peguei na biblioteca municipal da minha cidade e devorei o livro, não foi uma leitura fácil na época. Uns dois anos atrás eu adquiri essa versão da Record. Gostei da sua resenha, parabéns!
    Abraço!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O filme eu também assisti varias vezes, mas nunca tinha lido o livro, apesar de uma leitura difícil eu consegui conclui-lo.

      Excluir
  7. Oiie

    Já conhecia o autor, mas nunca tive vontade de ler o livro. E já sei pela sua resenha que não sou dos "escolhidos" rs Infelizmente passo a dica de hoje :(

    Beijos!

    ResponderExcluir
  8. O Nome da Rosa é um dos meus livros preferidos, e já o li duas vezes, fora o filme que vi outras duas vezes. Eu também não consegui descobrir o culpado.
    Bjs, Rose.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É difícil o entendimento mesmo, mas é uma leitura que vale a pena.

      Excluir
  9. Oi.
    Faz algum tempo que não leio livros densos de verdade. Estou estudando e trabalhando entao quando vou ler meu cerebro normalmente já está moído. Mas esse ano estipulei uma meta de voltar a ler livros assim e esse parece ser uma boa pedida, apesar desse excesso de descrição. Sério? Uma porta descrita em cinco páginas?
    Adorei a resenha.
    Beijos

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Machado de Asis levou um capitulo para descrever o pescoço da personagem de Cinco Minutos, então Umberto tá no lucro haha.

      Excluir
  10. Hey!

    Faz tempo que não leio sobre livros densos. Não conhecia a obra nem o autor, mas achei interessante, gosto de livros detalhados com novas palavras. Também me sinto instigada a continuar a leitura.
    Dica anotada. Beijos.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. O desafio é o que nos instiga a continuar haha.

      Excluir
  11. Oie
    confesso que não tive vontade de ler o livro e nunca tive vontade de ler nada do autor mas ainda assim ouço falar bem apesar dos pesares, uma pena que esse não funcionou, parabéns pela sinceridade na resenha :(

    beijos
    http://www.prismaliterario.com.br/

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. É bom sinceridade assim as pessoas não se iludem haha. Obrigada meu bem.

      Excluir