A Vida é um Oceano?

18/01/2019
Mais uma noite em claro. 

O relógio marca as horas em câmera lenta enquanto eu fito o teto pensando em absolutamente nada e em tudo, eu me vi submersa em meio ao oceano negro que me tornei ao longo dos dias. Ao longo da vida. A cada manhã sinto que me fecho um pouquinho mais, ou será que simplesmente estou morrendo por dentro? A verdade? Não sei, tenho me pegado vagando em meio a incertezas e alguns talvez mal mencionados. Estou caminhando em direção ao abismo que me tornei. Frio e sem fim. 

Eu já disse isso. 

Eu já disse tantas coisas, mas o nó em minha garganta me diz o contrário, me sinto muda para o mundo. Sinto que ninguém me ouve. Será que alguém pode me ler? Por que tenho a sensação que a resposta para tudo isso é um mero não? Não consigo me concentrar. Deixo minha mente vagar entre os “nadas” e os “tudos” que insistem em me preencher nas noites silenciosas. Silêncio. Quem me vê tão quieta não imagina o quão barulhenta é minha mente. O quão inquieta eu me sinto a cada dia. Não concluo mais nada, não que antes eu pudesse me orgulhar de ser a pessoa que sempre chegava ao fim de algo, mas nos últimos tempos nem as palavras surgem da mesma forma que antes. 

Estou rodeada de hipócritas. 

Olho a minha volta e me vejo envolta a uma camada densa e tóxica de hipocrisia, pessoas que falam, falam, mas no fundo não tem nada a dizer, eles caminham para lá e para cá em seu mundinho reclamando e eu permaneço apenas olhando. As vezes a vida parece passar em câmera lenta. Como um filme borrado na velha TV. A verdade é que se sentir sozinha é um caminho sem volta, pois quanto mais você se sente assim, mais você quer ser assim, absorto em meio a sua solidão, em meio ao seu silêncio mesmo que sua mente não pare por um segundo se quer. 

Várias noites em claro. 

Isso é o que vem me resumindo ultimamente. Olho para o papel e vejo palavras tremidas e sem sentido que as vezes simplesmente saem e no minuto seguinte me pego pensando como devo continuar aquilo. Pode uma ter apenas duas linhas? Ou apenas três palavras? Eu deixei a solidão me abraçar de pois de fugir dela durante anos. Sejamos sinceros todo mundo uma hora cansa de correr, cansa de fugir, cansa de ignorar o destino que está bem ali no seu encalço. Tenho me perdido em leituras tristes, histórias deles e não minha, mas ainda assim sinto que cada palavra foi feita para mim. Foi feita. Foi feita. Não sei ao certo o que isso pode significar. 

Como sair disso? Você não sai, ao menos eu não. Depois que você se prende em você e joga a chave no lugar mais escuro da sua mente, acredite a saída se torna difícil e você se vê obrigada a vagar em meio aos devaneios e sonhos que pairam em seus pensamentos. Sonhos. Minha vida tem se resumido a isso também, sonhar é o que tenho feito. Ora possível ora descabível. Tenho tirado muitas fotos, a maioria do céu, mas de certa forma tem me trazido paz em alguns dias e assim apenas vou seguindo sem muito certeza do próximo passo ou se o anterior foi dado de maneira correta. Estou caminhando em incertezas, no escuro da vida. Estou a trilhar um único caminho. Um único trajeto que mesmo que eu diga em alto e bom tom não saber onde vai dar, lá no fundo um sentimento me diz firme qual será o desfecho dessa estrada.

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